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pintura abstrata

Um Novo Olhar - Quando observar muda a forma como vivemos

25 de ago.
5 min de leitura

Atualizado: 11 de set.

Há momentos em que a vida não nos pede uma resposta. Pede-nos que olhemos melhor.



Estamos habituados a avançar depressa. A interpretar o que acontece, tomar decisões, resolver problemas, cumprir responsabilidades. Quando alguma coisa deixa de fazer sentido, procuramos quase imediatamente perceber o que fazer.


Talvez exista, porém, uma pergunta anterior: O que é que está realmente a acontecer? E outra, ainda mais desafiante: O que é que a vida me está a mostrar que eu ainda não estou a conseguir ver?


É neste espaço que nasce Um Novo Olhar, uma experiência vivencial da Menssana.

Não como uma promessa de respostas rápidas. E não como mais um conjunto de ferramentas para acrescentar àquilo que já sabemos. Mas como uma pausa para observar.


Porque, por vezes, aquilo de que precisamos não é de mais informação. É de ver de outra maneira.


Vemos o mundo — mas também vemos a partir de nós

Duas pessoas podem atravessar exatamente a mesma situação e viver experiências profundamente diferentes. O acontecimento pode ser o mesmo.A experiência não é.


Aquilo que vemos é atravessado pelo nosso corpo, pelas emoções que sentimos, pelas narrativas através das quais interpretamos a realidade, pelo momento de vida em que nos encontramos e pelo sentido que atribuímos ao que acontece.


Por isso, observar não é simplesmente olhar para fora. É também aprender a reconhecer de onde estamos a olhar.


Talvez uma conversa que interpretámos como rejeição tenha tocado numa história antiga.Talvez o cansaço que insistimos em ultrapassar esteja a dizer alguma coisa que ainda não escutámos. Talvez uma emoção desconfortável não seja um problema a eliminar, mas informação a acolher. Talvez uma decisão que parece racionalmente certa continue a produzir uma estranha sensação de desalinhamento. E talvez aquilo que julgamos ser um problema individual revele também algo sobre as relações e os sistemas dos quais fazemos parte.


Quando começamos a observar desta forma, a realidade ganha profundidade.


Antes de mudar, observar

Vivemos num tempo profundamente orientado para a transformação: mudar hábitos; mudar comportamentos; mudar organizações; mudar relações; mudar a sociedade. Mas, existe um risco silencioso: tentarmos transformar aquilo que ainda não compreendemos.


Na Menssana, partimos de outro lugar:

  • Antes de intervir, observamos.

  • Antes de procurar corrigir, procuramos compreender.

  • Antes de perguntar “como é que mudo isto?”, experimentamos perguntar: “O que é que isto me está a mostrar?”


Esta pequena deslocação pode alterar profundamente a relação que

estabelecemos connosco próprios, com os outros e com a vida.


Porque observar cria espaço entre aquilo que acontece e a resposta automática que estamos habituados a dar. E nesse espaço podem surgir novas possibilidades.


Quatro territórios da experiência humana

Em Um Novo Olhar, a observação atravessa quatro territórios que fazem parte da nossa experiência: Corpo, Emoções, Narrativas e Propósito.


Não são compartimentos separados. Conversam permanentemente entre si.

  • O corpo pode revelar aquilo que ainda não conseguimos nomear.

  • As emoções podem sinalizar necessidades, limites, vínculos ou movimentos internos que pedem atenção.

  • As narrativas ajudam-nos a organizar a experiência e a dar-lhe significado — mas podem também limitar aquilo que conseguimos imaginar como possível.

  • O propósito aproxima-nos daquilo que importa e ajuda-nos a reconhecer a direção que desejamos dar à nossa vida.


Observar estes quatro territórios não significa analisarmo-nos incessantemente.

Significa desenvolver uma relação mais atenta com a própria experiência.

  • O que está o meu corpo a mostrar-me?

  • Que emoção está presente — e o que poderá estar a sinalizar?

  • Que interpretação estou a construir sobre aquilo que aconteceu?

  • O que é verdadeiramente importante para mim neste momento?

Pouco a pouco, começamos a perceber que aquilo que parecia uma única realidade contém várias camadas.

E é precisamente aí que o olhar se amplia.


Do “eu” para o “outro” e para o sistema

A viagem não termina em nós.


Somos seres relacionais. Vivemos em famílias, equipas, organizações, comunidades e sociedades. Influenciamos esses sistemas e somos continuamente influenciados por eles.


Por isso, aprender a observar a própria experiência é também aprender a olhar para o outro com maior curiosidade.

Em vez de: “Porque é que esta pessoa faz isto?”, podemos começar a perguntar:“O que poderá esta pessoa estar a ver que eu não vejo?”

E, depois, ampliar novamente:

“O que está a acontecer entre nós?”

“Que padrões se repetem?”

“O que é que este sistema está a revelar?”


Esta passagem — do eu, ao outro, ao sistema — está no coração do trabalho da Menssana.

Porque muitos dos desafios que atribuímos às pessoas não pertencem exclusivamente às pessoas - emergem das relações, dos contextos, das histórias, das estruturas e dos sistemas humanos que construímos e habitamos.


Um novo olhar não significa um olhar “certo”

Talvez esta seja uma das aprendizagens mais importantes:

Ampliar o olhar não significa substituir uma interpretação errada por uma interpretação certa. Significa reconhecer que a nossa perspetiva é sempre parcial.


Há sempre algo que não vemos. Algo que o outro vê. Algo que o corpo percebe antes da mente. Algo que uma emoção revela. Algo que o contexto explica. Algo que só se torna visível quando nos afastamos suficientemente para observar o sistema.


Cultivar um novo olhar é, por isso, também um exercício de humildade.

A capacidade de suspender, por alguns instantes, aquilo que julgamos saber. E permanecermos curiosos perante aquilo que ainda não compreendemos.


Talvez a vida já esteja a responder

Há perguntas que não precisam de ser respondidas imediatamente.

Precisam de ser habitadas.

Talvez possamos experimentar uma delas nos próximos dias: O que é que a vida me está a mostrar?

Não é necessário procurar acontecimentos extraordinários.

Observe uma conversa...

Uma irritação inesperada...

Uma tensão no corpo...

Uma vontade recorrente...

Uma situação que se repete...

Uma pessoa que desperta uma reação intensa...

Um momento em que se sente particularmente vivo...

Um silêncio...

Uma escolha que continua a ser adiada...


Talvez a vida fale através dessas pequenas coisas. E talvez aquilo que procuramos compreender não esteja tão longe quanto imaginamos - pode simplesmente precisar de espaço para ser visto.


Um convite para parar, observar e ampliar

A Masterclass Um Novo Olhar nasce precisamente desse convite.

Uma experiência vivencial da Menssana para criar espaço de pausa, observação e descoberta, percorrendo diferentes dimensões da experiência humana e experimentando outras formas de olhar para si, para o outro e para os sistemas dos quais fazemos parte.


Não para sair com todas as respostas. Mas, talvez, para sair com melhores perguntas. com maior consciência sobre o lugar de onde observamos, com mais capacidade para reconhecer padrões, com curiosidade perante aquilo que ainda não sabemos, e com um olhar suficientemente amplo para permitir que novas possibilidades se tornem visíveis.


Porque algumas mudanças começam muito antes da ação - Começam no instante em que conseguimos finalmente ver aquilo que sempre esteve diante de nós — de uma maneira diferente.


Um Novo Olhar - Um convite para escutar o que a vida lhe está a mostrar.



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